terça-feira, 2 de setembro de 2014

O sábado que não chega

Quando dá vontade, a vontade não escolhe lugar, a vontade não escolhe a hora, a vontade só nos escolhe. E como a vontade tem nos escolhido ultimamente, hein!? Me vejo parada no meio de uma terça-feira abafada gritando pra vontade. "Eu, eu, eu aqui!" Não preciso nem falar duas vezes. Na metade do minuto seguinte já me imagino te pegando pelo pescoço, de jeito, firme. Com a mão que sobra já me livrei da parte de cima da minha roupa e a sua sai correndo do seu corpo, escorregando, dando licença! "Me da licença moça, hoje não vai haver nada entre esse corpo e eu."
Eu me vejo fazendo parte daquele beijo que encaixa, que vira e mexe e morde e lambe e dá ainda mais vontade. Não tem porquê ter calma, não tem por que ter cerimonia, aquilo tudo é meu e eu sei muito bem o que fazer.
A vontade tem sua própria trilha sonora e entre gemidos, estalos de tapas e gritos abafados pelo travesseiro, ela rege sua sinfonia perfeita, a melhor das sinfonias vai se formando entre uma putaria e outra dita ao pé do ouvido, nossa putaria e na nossa putaria tudo pode e eu quero tudo o que você tem pra me dar, me dá? Eu quero a pele da tua nuca arrepiada com a lambida na orelha, eu quero os puxões de cabelo, me dá? Eu quero o cheiro doce da tua pele grudada na minha, eu quero tudo, eu quero tudinho, pra ter e depois quase sem folego, sem forças, deitar do teu lado e nossos corpos grudados pelo suor e intimados pela vontade quererem tudo de novo, tu quer tudo de novo e é claro que eu te dou.