sábado, 30 de julho de 2011

Eu tenho mudado tanto, toda hora e para todos os lados, que seja a ficar cansativo vir aqui e falar sobre isso toda vez que acontece. Calma, calma. Que bom que tenho mudado, que bom que continuo em constante movimento. A única coisa que não quero é ficar parada.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

terça-feira, 19 de julho de 2011

Eu não quero sair na rua evitando as pessoas, não quero ter que entrar no restaurante mais vazio, não quero sentir, quase, repulsa quando estou em um aglomerado de gente desconhecida. Eu não quero me sentir indiferente ao resto do mundo. Mas me diga? Qual é minha outra opção? Como não sentir-se assim quando o mundo ao seu redor sente-se diferente de ti? Algo não se encaixa, eu ou o resto do mundo. A probabilidade de ser eu um ser estranho no meio de bilhões de pessoas que acharam seu lugar no terra pode ser muito maior, mas e se os estranhos no ninho forem vocês? E se quem está errado nessa história toda não sou eu? Difícil conceber uma ideia dessa, mas o fato de todos pensarem de uma forma, não quer dizer que esta é a forma certa de se pensar. Talvez ainda, e muito mais provável, seja o fato de que eu esteja um pouco intolerante ao resto dos macacos falantes, que tem como maior o problema o dom da fala.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Pra galera que não etendeu: sim, vou enviar cartas a quem deixar seu endereço por comentário. não, não precisa ser endereço residencial, e também não precisa ser seu nome verdadeiro, se não quiser. Tá? Queridos.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Pessoas que leem este humilde blog, tenho uma surpresa para vocês. Mas primeiro preciso de seus endereços, os deixem por comentário, por favor. Vamos voltar ao velho meio de comunicar-se com alguém. ;)
- Sempre cheio de cerimônias, em meu velho? - Ele comentou sarcástico.
- É inegável. - Sorriu o anfitrião.
Todos os três devidamente sentados, formando um triângulo no centro da sala.
Ela se manteve em um incomodo silêncio enquanto os dois velhos amigos trocavam uma ou duas palavras sobre a família do novo visitante. Algo sobre seu velho pai, já doente, em como ele estava e como ele estava enfrentando tudo isso.
- Enfim meus caros. - Disse o anfitrião suspirando fundo. - Eu imagino que vocês já devam desconfiar do que se trata essa reuniãozinha, mas deixem-me esclarecer os fatos. - Ele se ajeito na poltrona. Pigarreou.
- A cerca de um mês atrás recebi uma correspondência, uma simples carta sem remetente, a qual não dei importância, de início. Cinco dias depois da primeira carta, recebi outra e assim sucessivamente. Todas sem remetente. Ontem, chegou a porta da minha casa a sexta carta, e imagino eu, a última. - O anfitrião tirou de dentro de dentro do bolso de seu paletó um maço de envelopes e os botou em cima da mesa de centro e continuou a falar; - O teor dessas cartas, para minha surpresa, e devo imaginar, para a de vocês também, tem a a ver com um terrível acontecimento do nosso passado.
- Não acredito...- Ela sussurrou incomodada .
- Acalme-se querida. - O Anfitrião apressou.
Um suspirou fundou de inquietação foi ouvido do outro lado.
- Vocês dois poderiam, por um momento, por Ela, pararem de se tutucar? - O Anfitrião pediu quase irritado.
- Me desculpe velho amigo, tem coisas que não se supera apenas com uma viagem aos Andes com um bando de vagabundas. - Ela disse calma e sarcástica, olhando para o Novo Visitante.
- HAHAHA - Ele debochou. - Eu escolhi continuar vivendo enquanto você é incapaz de levantar-se depois todo esse tempo. - Quase gritando.
- Amigos! - O Anfitrião falou firme. - Respeitem a dor um do outro, por favor? Ela faz falta para todos nós, nós estávamos juntos, e gostaria que continuássemos, por tudo que vivemos.
O problema todo girava em torno de um acontecimento, uma perda definitiva. E todos aqui sabem que nada continua igual depois de uma. O acontecimento que os separou, só ocorreu por que estavam juntos, o que agora não era mais possível.
O Anfitrião afundou-se em seus livros, escreveu obras lindíssimas e enriqueceu com elas. O Novo Visitante viajou o mundo ao lado de lindas mulheres, usufruindo do montante de dinheiro que seu pai possui. Querida, por sua vez, perdeu a sensatez para o conhaque, enclausurou-se na velha casa de campo da família e mergulhou de cabeça na fotografia, era só o que ela sabia fazer.
O fato é que agora, não eram mais os mesmos de 4 anos atrás. Alguma coisa deu errada, alguma luz apagou-se, e eles sabiam que nada poderia religa-la. Nem o reencontro, nem todas as palavras e desculpas desse mundo. Era triste, mas era real, era real e doía, em todos eles.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Já haviam se passado 2 horas, pelas suas contas, e desde aquele primeiro momento não tinha movido um só músculo. As costas começavam a doer. Tomou coragem para levantar-se do seu trono de insegurança e o fez de uma vez só. Caminhou até a cozinha, pegou um copo na cristaleira e a garrafa de conhaque no armário, serviu uma dose e bebeu de uma vez só, serviu mais uma generosa dose e fez o caminho de volta para a sala, sentou-se. Adorava sentir a queimação causada pelo conhaque descendo até seu estomago sempre vazio.
Estava na hora, não podia atrasar-se. Vestiu o casaco e o cachecol e saiu porta a fora. Desceu a ladeira enquanto o vento lhe empurrava e em seu andar rápido não demorou a chegar no lugar marcado.
Chegou em frente a velha casa em estilo gótico e sem cerimônias foi entrando
- Olá? - Disse anunciando sua presença.
- Entra. Estou na sala. - Uma voz avisou ao longe.
Caminhou até a sala, fazendo aquele trajeto já tão conhecido.
- Oi querida. - Seu anfitrião levantou para lhe abraçar. - Sente-se
- Oi meu velho. - Abraçou-o e sentou na poltrona a sua frente.
- Como sempre ele está atrasado. Aceita um café enquanto espera? - Ofereceu apontando a bandeja em cima da mesa de centro.
- Não meu velho, acabei de tomar umas doses de conhaque. - Respondeu olhando para a sala em que estava.
Quantas lembranças tinha daquela sala, em cada canto, em cada metro quadrado daquela carpete verde escuro tinha um livro de histórias, infantis, juvenis e também proibidas para menores de idade. Nada havia mudado desde que podia lembrar, o vaso no criado mudo ao lado da grande poltrona ainda estava com a boca lascada, ainda podia se ver o pedaço queimado do tapete, as cortinas eram as mesmas, as almofadas, o cheiro, tudo.
- Então. Adianta-me o assunto que te fez convocar essa reuniãozinha de velhos amigos?
- O encontro de velhos amigos não é motivo o suficiente, querida?- Ele indagou com uma das sobrancelhas arqueadas.
- Nesse caso não, meu velho. - Ela falou inclinando-se pra frente em direção a ele. Pigarreou. - Eu posso fumar aqui?
- Ainda cultiva esse hábito terrível?
- É o que parece.
- Pode sim. - Ele falou suspirando.
Ela tirou do bolso uma carteira de cigarros e um isqueiro metálico e acendeu um cigarro. Ele lhe alcançou o cinzeiro.
Permaneceram em silêncio por longos minutos, sabiam que não era necessário nenhum tipo de conversa para preencher o tempo, a companhia um do outro era o suficiente.
- Tu terminaste teu livro? - Ela perguntou curiosa apagando o cigarro.
- Qual deles?
- Aquele, sobre a ditadura e essas coisas?
- Ah. Sim, terminei, há mais de um ano. Já o lancei inclusive. - Ele comentou tomando um gole de café.
- Hum. Não sabia. - Ela sussurrou meio surpresa.
- O tempo que tu passou longe, parece que tu estava em outro planeta.
- Vai ver eu estava mesmo.
Mais silêncio.
- Foram tempos difíceis. - Ele começou. - E todos nós sabemos que ninguém sofreu mais do que...
- Não precisa. - Ela lhe interrompeu inquieta. - Tu não precisa falar nada.
- Eu sei que não preciso, mas eu quero. Posso? - Irritado.
Ela fez um sinal de positivo com a mão sem conseguir disfarçar o incomodo.
- Então. Foi terrivelmente difícil passar por aquilo tudo, mas está mais do que na hora de reajustar-se, de tentar superar o que aconteceu.
- Ah, por favor! - Ela exaltou-se. - Você nem estava lá, você se quer viu o que aconteceu! Não venha dizer que sabe de alguma coisa! - Levantou da poltrona
- Parece que cheguei na hora boa. - Uma voz com o quê de ironia. Ambos viraram-se para a porta surpresos e de imediato reconheceram quem falava.
- Seja bem-vindo meu velho amigo. - O anfitrião amistoso levantou-se para abraçar o novo visitante. Ela, agora escorada na estante de livros, fez um aceno leve com a cabeça cumprimentando-o.
- Compartilhem comigo esse momento de excitação. - O novo visitante disse sentando-se no sofá ao lado deles.
- Falávamos sobre o 'assunto impronunciável'. - O anfitrião falou voltando a sentar-se. - Café?
- Não, obrigado. Ah, suspeitei se tratar disto. - Sorriu de canto.
- Sente-se querida. Temos muito o que conversar.
- O que acontece depois? Qual é o próximo passo?
- Nada. Nenhum. Provavelmente entremos em um vácuo eterno, ou passemos o resto da eternidade como um borrão do que um dia fomos.
- Então é só isso e fim? Nenhuma vida após a morte, nenhum descanso eterno ou um lugar para sentar ao lado de deus?
- Deus? Se algum dia algum tipo de deus existiu, ele nos abandonou a muito tempo.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Escrevi, mas não mandei.

Eu tinha todas aquelas possibilidades, estava a mercê de todas as probabilidades. Não tinha nada na cabeça, e você me tirou tudo. Mas não, a culpa não é sua, a culpa é minha, é claro. Por que diabos eu me deixaria levar por aquele par de olhos castanhos, negros de pretensões? Por que eu me deixaria levar pelo papo manso, a pele macia? Por que me deixar levar pelo sabor dos líquidos, a beleza escondida por entranhas? Por que meudeus?!
Eu não tinha nada, você me tirou tudo.
Uma cabeça despreparada tal qual a minha faria tudo aquilo que fiz mais um milhão de vezes. Eu estando em mim, jamais teria agido diferente. Me parece tão óbvio, eu tinha alguém, eu era alguém, você apareceu e... E deu. O mundo veio com você e foi tudo por água a baixo.