quarta-feira, 30 de março de 2011

O que restou dos nossos amigos e amores? O que sobrou para contar história dos amigos e amores que tínhamos ao nosso lado, se não o gosto do beijo na boca? Sim, o gosto do beijo na boca, por que amigos também amam e também são coloridos. O que nos restou se não algumas centenas de quilômetros nos separando e ao mesmo tempo nos aproximando? Nos restaram lembranças e o amor incondicional, sempre.
Somos a geração da metade da história, estamos no meio do caminho entre o ápice e a destruição total. Não teremos histórias para contar, a não ser aquelas que nos foram contadas. Estamos em guerra contra nós mesmos, nossos conflitos nada mais são do que mau entendidos. Somos a geração do meio termo. Estamos em cima do muro onde nos colocaram assim que nascemos, e lá continuaremos até que alguém nos tire.
Nos tirem tudo, menos a internet! A internet não! A internet que aproxima mundos e afasta corações.
Falamos de política como grandes conhecedores, mas elegemos Tiririca, Jose Bolsonaro, Paulo Maluf e mais uma corja de sangue-suga desajuizados e desinteressados. Mantemos a mentalidade de Colônia de exploração até hoje, a mentalidade que nos foi imposta a 500 anos atrás e nós aceitamos como boas vagabundas que somos. Ninguém sai a ruas, a não ser pra fazer Flash mob ou brigar com a torcida adversária. Ninguém se compromete, ninguém se responsabiliza, gostamos mesmo é de nos omitir.
Ora meus caros, queria eu ter a sorte de ver em nosso pais de mulheres nuas e futebol, o que estamos vendo acontecer no Egito e ainda mais bravamente na Líbia. A coisa mais linda que já tive a oportunidade de ver acontecer. Quantos fugiriam? Quantos lutariam? Quem sairias as ruas pronto para morrer por algo que se acredita? Difícil dizer, melhor não dizer.
Uma geração que sustenta onze edições da maior das palhaçadas televisionadas como se ela fosse parte de algo vital para nossa sobrevivência e não apenas mais um lixo de entretenimento global. Geração essa que se tornou incapaz de chorar pela morte de seus gênios, os esqueceu ou os desconhece enquanto ovaciona uma nova espécie de herói, desconhecido e mascarado por um "Nick name".
Que nossos filhos sejam melhores, ou melhor, que não haja filhos, melhor não arriscar a educação de crianças nessas mãos.

Tá. Inspirado no "Clube da luta".

quarta-feira, 23 de março de 2011

Pra quem procura desculpa para cada ato, para quem procura explicação para tudo, razão para acontecer, para ser, para estar. Para quem não sabe viver sem pensar que precisa de aprovação, aceitação de todos e opinião de todos. Pra vocês minha compaixão.

segunda-feira, 21 de março de 2011

Eu não formato meus textos como não formato minha vida. Não há tempo para correções, para refrasear, para alterar acentuações e pontuações. Eu não corrijo como também não apago. Não há como recomeçar uma vida, ou apagar um trecho do que se viveu. Não dá pra reformular a citação de algum personagem, não dá pra fazer parar de sentir, não dá pra recomeçar. Quando um texto me parece, a meio caminho de sua término ou depois dele, que não diz tudo que eu queria dizer, que não retrata o momento que eu queria passar, que é insuficiente eu simplesmente o deixo de lado e começo um outro. E a vida também é assim. Penso. Não há como apagar.
Nessas horas da vida em que tu parece não ter sentimentos e a mente faz todo o trabalho por ti sem que ao menos você saiba. Nesses momentos em que tu não é capaz de perceber e entender os sentimentos a tua volta, tudo parece simples demais, a vodka descomplicou. Nesse momento, por uma motivação externa, por um incentivo alheio tu bota a mão no peito e sente alguma coisa batendo, uma batida ritmada e contínua, rápida naquela hora, uma batida que não cessa quando você quer que ela cesse.
Você pode distraí-lo, você pode tentar ignora-lo, mas jamais conseguirá negar sua existência. Um coração pra cada um de nós.

domingo, 20 de março de 2011

É chato eu voltar aqui e falar sobre isso de novo, mas é só pra dizer que eu sempre soube. Sempre.
E cada vez que eu alguém vem e conta esse "segredo", eu aperto um pouquinho mais o coração no peito, e sigo o baile.

segunda-feira, 14 de março de 2011

Andávamos pelas ruas nos achando grande coisa. Fechando os olhos e erguendo o queixo para o céu, deixando cada rajada de vento passar e trazer com ele os cheiros daquele lugar, o perfume das pessoas, cheiro de café em cada esquina, o cheiro da comida que era feita em cada meio metro de vida disponível. Andávamos distraídos pelas ruas de pedra milimetricamente aprumadas, olhando as magnificas construções, curiosos e risonhos para tudo que nos era estranho e desconhecido. Riamos do idioma, dos homens, das mulheres, mas não riamos debochados, riamos abobados, encantados com aquela vida tão simples e diferente da nossa, mas que já daríamos tudo para ter igual.
Queríamos sentar em todos os bares e restaurantes possíveis e tomar mais um suco de laranja, comer mais uma pizza de muzzarela e procurar no mapa mais um lugar legal pra ir. Tentávamos abraçar a cidade com as pernas, caminhando o máximo possível, por todos os lugares possíveis. Queríamos mais uma medialuna, mais um desconhecido simpático disposto a falar sobre qualquer besteira, sobre câmeras, sobre seu caso extra conjugal, sobre sua vida. Queríamos trocar bebidas com completos desconhecidos, esbarrar em músicos de rua, em artistas fantásticos e deixar-lhes mais uma moedita.
Queríamos ajuda, ganhamos compaixão, preocupação. Ganhamos histórias de que só um ser humano comum teria a criatividade de viver. Ganhamos bondade e gentileza, sorrisos e atenção e estávamos ali sem nada a oferecer em troca a não ser nossa companhia. Em cada quilometro percorrido uma nova lição e uma esperança.
Rodaríamos por rodar, pra sair dessa vida, desse marasmo, dessa mediocridade, queríamos a vida lá fora, queríamos a estrada nua e crua. Éramos nós usando camisas de flanela e nossas mochilas. Éramos nos e nossa excitação crescente e incontrolável.
Queríamos testar nossa sorte, queríamos provar pra nós mesmo e para todo o resto do mundo que nossa loucura era completamente possível, como de fato foi.
Rodamos 2100km pra ter certeza que nossa casa é onde queremos estar, que inconseqüências  planejadas teem seu sabor, queríamos um lugar para lembrar com saudade.
Queríamos histórias pra contar, gostos novos pra provar, lugares novos para visitar. E tudo isso de fato tivemos e muito mais. Tudo isso e ainda mais, de bônus atamos a mais improvável amizade dos últimos tempos. Valeu vagabunda.
Não quero, não quero mais. Pára o teu trem, por que eu quero descer.

sexta-feira, 11 de março de 2011

O ruim é não ter o que terminar, é querer ver o fim de algo que nem começo teve.
Mas mesmo assim o quero, o fim. Quero pra provar pra mim mesma que posso recomeçar mais uma vez.

quinta-feira, 10 de março de 2011

É cada vez mais difícil, mas penso que não seria diferente, de qualquer forma. Cada dia a coisa vai ficando pior e pior e mais foda do que o dia anterior. E isso é referente a tudo na vida, amores, trampo, estudo, tudo. Como se estivéssemos em um grande jogo arcade, em que a cada fase vencida uma nova e mais difícil fase se inicia. Coletamos moedas, matamos tartarugas do mal e salvamos princesas do castelo assombrado. E quem vai nos salvar? Quem vai nos impedir de cair no poço de lava ou de ser comido por um peixe gigante? Quem vai? Ninguém vai, ninguém vai nos salvar, por que você não é a princesa e o encanador bigodudo não existe.
Vamos então nos agarrando a cipós, montando em dinossaurinhos, ganhando estrelas de energia e jogando bolas de fogo, correndo contra o tempo para sobreviver. Nesse jogo, se você errar, a bala gigante te pega e aqui só se tem uma vida. UMA.
Pra nossa sorte, ao contrário do Mario, (que te comeu... é.) nós somos capazes de evoluir, e apesar de não ganharmos asas ou um terceiro braço, somos capazes de A-P-R-E-N-D-E-R, em uma aula sem apostilas e sem nota no final do semestre, mas que nos bota a prova a cada novo dia. Cada um aprender o quer, entende o que aprendeu como quer, cada um ensina mesmo sem querer. Se assim como o Mario, vivêssemos em um mundo fácil e previsível onde estaria a graça? Onde estaria a graça se não pudéssemos reclamar da complicação feminina, da distração masculina, da imprevisibilidade da vida?
Cada um aqui precisa salvar um, duas ou três princesas por dia, todos nós temos que usar nossos poderes de  super-paciência, mega-tolerância e suprema-competência todos os dias para que no final dele consigamos mais alguns bônus por chegar vivo a mais um final de fase.

quarta-feira, 2 de março de 2011

Tu passa a vida inteira tentando se esconder e se defender de alguma coisa que tu não faz idéia do que seja de verdade, mas que só de ouvir falar já morre de medo. Tu não quer de forma alguma se sentir do jeito que aquelas pessoas dizem que se sentiram, tu não quer se tornar refém de uma força invisível e destruidora, não quer depender disso pra viver. Você já tem problemas de mais, você já tem muito mais com que se preocupar na vida, não quer nada abstrato e avassalador. Não quer ligações apaixonadas no meio da madrugada, não quer presentes fofos entregues sem motivo algum, não quer ninguém perguntando onde, quando, com quem e que horas você volta. Você não precisa de alguém de sugando a vida aos poucos cada vez que te beija, te abraça ou te olha nos olhos como se tu fosse a coisa mais importante do mundo.
Tu não quer, tu não precisa, por que tu sabe exatamente como vai se sentir, nas nuvens, sorrindo como uma idiota pelos quatro cantos da vida, cumprimentando até vira-latas na rua. E depois, como se a felicidade fosse um ácido de efeito passageiro, ela vai embora levando com ela toda sua dignidade e alegria de viver. Aí meu amigo, fode-se o mundo, mais alguém te fodeu bonito e mais uma vez tu é o palhaço da história.
Realmente eu não quero saber, eu não quero provar, eu não preciso.

terça-feira, 1 de março de 2011

Frustração. É isso, é isso que eu sinto no momento. Frustra por que esperam de mim muito mais do que eu posso ou quero dar, e fica aqueles três pontinhos no ar esperando continuação. Pra mim não há continuação.
Me sinto responsável de alguma forma, de alguma maneira torta eu ajudei a criar e alimentar isso tudo, mas não tive a mínima intenção de faze-lo, de verdade.
Não que eu me sinta culpada, culpa não. Sinto-me desconfortável nessa situação, estou acuada em um canto enquanto as portas do desconhecido se abrem pra mim. Eu não quero entrar, todas as vezes que tentei, voltei de lá correndo e jurando que jamais voltaria.
Dá medo. Eu morro de medo.
Estou assustada e estou com medo e não sei como agir. Normal né, a situação é estranha e nesses casos eu nunca sei o que fazer. Mas vai passar, deve ser a lua, o ventinho frio, vai passar. Amanhã ninguem mais vai lembrar disso e eu estarei livre. Assim espero.