segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Eu acordei com vontade dele hoje, com vontade de estar ao lado dele. Uma dorzinha aguda no peito, uma saudade chata, a falta do abraço apertado, da risada escandalosa, da verdade que só tu sabe passar.
Eu acordei te querendo hoje Digo, precisando de ti irmão.
Obrigada por tudo, por ser parte de mim, por ser quem sempre está comigo quando preciso. Obrigada pela certeza de que entre nós nada vai mudar.
Te amo.

domingo, 29 de agosto de 2010

Eu corri léguas atrás de alguém que só precisava dar um passo. Eu esperei anos por alguém que tem o que quer na hora. De qualquer forma não posso lutar por alguém que não quer ser vencido, de jeito algum. Eu sei, já devia ter me acostumado com tuas idas e vindas, mas não dessa vez. Dessa vez, nem você é capaz de suportar, de negar o que você nunca soube esconder. Dessa vez, sendo a última vez.
Ok Anônimo, faça como quiser.
Ei Anônimo, que tal tentar dizer quem é pra depois saber o que eu penso sobre você?
Sem inSegurança ok?
Eu tive a nítida sensação de estar me desprendendo de algo enorme, algo importante. E eu me desprendi sem dor aparente, sem nenhum arranhão visível, sem levar mais um daqueles tremendos tapas na cara, que abalam, que destroem.
Levantei usando a força de sempre para erguer meu corpo, mas dessa vez a força toda pareceu desnecessária. Eu estava leve, estava livre.
Os dois primeiros passos pareceram estranhos, como se eu tivesse reaprendido a andar. Suspirei fundo, passei a mão no cabelo e sai pra rua. Eu era eu de novo.

sábado, 28 de agosto de 2010

Por alguns momentos de lucidez, por outros de felicidade real e por todos que valeram a pena. Eu preciso agradecer aos fatos aleatórios da vida por ter tido a chance de encontrar duas pessoas incríveis em suas particularidades. Agradecer pela oportunidade de conhecer, e de certa forma conviver com duas pessoas tão interessantes quanto a vida pôde criar, como só vocês sabem ser.
Eu tenho sorte, sempre digo.
Obrigada estranha.
Obrigada bonitão.
Eu carrego o medo em cada toque de meus dedos no teclado. Eu transpiro tensão. Sinto-me estranha, inquieta, confusa. Eu tenho 12 anos.
Eu escrevi, mas não vou postar.
Pelo menos não por enquanto.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Como eu queria que as coisas pudessem ter sido diferentes. SÓ isso.
- De novo não, de novo não. -Ela grunhiu apertando as mangas do moletom.
Mas sim, de novo sim.
Tinha um nó na garganta e a maquiagem borrada no rosto. Tinha o início de mais uma primavera e mais uma vez o coração partido.
Baixou a cabeça e passou rápido e sem olhar por um, dois espelhos do corredor e parou em frente ao terceiro. Como quem é incapaz de reconhecer a imagem refletida, procurou por longos instantes saber de quem se tratava aquela menina no espelho. Uma voz quase raivosa lhe invadiu os sentidos;
- Fala comigo porra! Fala comigo!
A voz e a quem ela pertencia agora estavam a suas costas, e esta imagem sim foi capaz de reconhecer.
Era, quem mais uma vez lhe fez chorar.
- Amor... - Uma calma forçada tomou aquela voz.
Ela entortou a cabeça para o lado e semi cerrou os olhos como quem analisa, o que de fato fazia.
- Eu nunca pensei que algum dia seria capaz de dizer isso... - Falou lentamente. - Mas eu não te quero mais. - Terminou calmamente.
Um sorriso torto, débil e até maldoso foi estampado no rosto atrás dela.
- Eu esperei que você não quisesse. - A calma agora era verdadeira.
- Esperou? - Perguntou confusa, surpresa.
- Esperei. Esperei que você não me quisesse mais por que você é incapaz de não me amar. - Havia vitória em sua voz.
Sim, era por essa pessoa egoísta, insensível, infiel por quem havia apaixonado-se
- Eu não me reconheço mais ao teu lado. Eu sei quem você é, apesar de ter sumido com a pessoa carinhosa, romântica e que me faz sentir tão bem. Eu sei que isso é parte de você. Mas não eu, eu perdi minha identidade ao teu lado, eu não sei quem é essa garota refletida no espelho ao teu lado. - O choro voltou cadenciado, mas sem vergonha de voltar. - Isso tá acontecendo de novo e de novo e de novo, e nós não saímos do lugar. - Com lágrimas vencendo seu rosto.
Como quem faz das dela a sua, também chorou, e agora também era incapaz de reconhecer-se. Quis toca-la.
- Não. - Ela repreendeu
- Eu não sei o que você está sentindo, eu não faço idéia do quanto você está sofrendo. Mas se eu sou o motivo de tudo isso, então é melhor eu ir. - Secou suas próprias lágrimas, virou-se e começou a andar na direção contrária.
Ela, com seus medos ali expostos, sentiu o peito comprimir de forma insuportável. Não podia jogar fora um amor pelo qual lutou tanto para viver.
Sem virar-se, fitando aquela figura ainda pelo espelho, pediu:
- Não vai. - A meio tom.
Parou.
- Eu te amo. - A voz disse chorosa virando-se.
Ela encarou no espelho a pessoa doce a quem amava e virou-se também. Pensou em correr em sua direção, mas não pode se mover.
Agora aos prantos, viu quem ama também aos prantos.
Voltar mais uma vez para seus braços e perguntar-se;
- Até quando?


Baseado em fatos reais. (e não durou muito mais)

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Eu tenho vivido um dia antes, um passo a frente, uma vida a mais. Tenho tentado, em vão, lhe dizer o que lhe espera na próxima curva, lhe dizer o que esperar do próximo dia. Mas isso não, isso não cabe a mim, isso cabe ao tempo. Cabe ao tempo que corrói, que cansa, que ensina, que modifica. Tudo se modifica com o tempo. Ou quase tudo. Nem todo tempo do mundo muda o caráter de alguém, nem todo tempo do mundo muda a personalidade, a essência. Nada te muda na essência. Precisa com o passar o tempo, aprender que o tempo não vai te curar.
Eu te desejo. Eu tenho vontade de te ter quando te vejo, e se eu te tenho, depois eu te esqueço. É simples assim e não é só com você. (In)felizmente. Algumas vezes eu quero de novo, por poucas vezes vou continuar querendo por algum tempo e em raras oportunidades, eu gosto, mas acaba. Invariavelmente.
Tenho pra mim que é a maldição que carrego desde "Você sabe quem". Desde aquela fatídica noite de novembro em que cometi o maior erro (de amor) desta e da próxima vida. E depois, não sendo burra o suficiente, continuei a negar e a insistir na merda do mesmo erro! Até que a magia se desfez. Puff! Feito fumaça no ar. Não há mais magia.
Depois disso há um emaranhado de relações, alguns sentimentos, muitos erros e pouco coração. Lidar com o corpo é mais fácil.
Eu parei sozinha desde aquele dia, e até agora espero algo maior, algo melhor, se isso for possível. E isso tudo não quer dizer que eu ainda sinto o que sentia, eu só... Humm, não sei.
Até hoje há o desconforto em lembrar de ti, em ouvir teu nome. Não gosto de ler, ouvir, pronunciar teu nome, ele me faz lembrar que você podia estar aqui comigo hoje, me faz lembrar que nada até hoje foi mais forte, mas intenso, mas amor do que você J...... AHH! Eu não consigo dizer, não consigo.
Eu estava errada, de novo.
Na verdade, se eu fosse admitir aqui todas as vezes em que estou errada, precisaria escrever um texto por dia dizendo; "Eu estou errada..."
Dessa vez, de forma decepcionante e surpreendente, eu estava errada. Ninguém tem culpa, ninguém tem mérito. Mas...Obrigada a todos que estiveram ao meu lado nos últimos dias, mesmo que este 'estar do lado' tenha sido dizendo um "qualquer coisa que eu puder fazer..." (Aqui deixou uma observação de que eu cobrarei este ' qualquer coisa' futuramente ;P)
Obrigada a todos que perguntaram e se puseram a disposição, pelos telefonemas, mensagens e afins. De verdade, obrigada. É ótimo saber que é recíproco o que sinto por vocês.
Estes últimos não foram dias fáceis, mas sempre nos sobra uma lição, esperança e amor redobrados. Por isso sem mais, venha o que tiver que ser. Aqui ninguém é fraco e ninguém está sozinho.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Eu fechei meus cindo dedos em volta daquele braço e segurei firme, usei de força desnecessária até.
- Ai.
- Eu estou falando contigo. - Censurei quase nervosa.
- Bons tempos aqueles em que você não precisava usar de força para chamar a atenção de alguém né? - Debochou.
- Não sou eu quem está na minha cama e sem roupas agora, acho que não preciso de mais atenção do que isso.
- Então por que a violência?
- Por que eu quero ver se chacoalhando não te faço enxergar alguma coisa além do que você quer ver.

domingo, 22 de agosto de 2010

Aprenda a privar-se de certos "luxos", certos prazeres desnecessários, antes que você comece a privar-se da vida lá fora.
E eu gosto do jeito como me sinto agora, talvez longe de alguns e ao mesmo tempo tão próxima de outros. Eu prefiro esses "outros".

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Não deve haver forma de calar quem fala com o coração. Não dessa vez.

Estamos juntos Vô. Vai ficar tudo bem, vai ficar tudo bem.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Não preciso de explicações, eu não quero lamentos, não quero tapinhas nas costas, não quero consolo de nenhum tipo. Eu só quero ficar onde estou, como estou. Preciso disso, preciso me permitir ter isso, antes que eu tenha um colapso, ou algo assim. Antes que eu pire, brigue, odeie alguém mortalmente.
Então, me deixem ok? ok

domingo, 15 de agosto de 2010

eu tenho 5 minutos, dois amores, 10 milhões de dores e só uma razão
o meu café acabou, a insônia chegou e tem espinhos na cama
eu não tenho mais o que ler, todos dizem mesma coisa, todos fazem a mesma coisa
a vida acaba amanhã e eu não sei esperar. não, eu aprendi a esperar
chega de corpo, chega de gente. gente faz mal
alguém me dizendo ao pé do ouvido; "você não ama"
e eu sem ter o que responder.
eu não tive sorte, só pode ser isso. eu não tive sorte e estou sem um pila no bolso.
mas eu ainda tenho um coração, a sanidade
e quando eu não quero mais respirar, quando eu não quiser se quer piscar, eu possa apenas estar
procurar entre todas as músicas uma só que não fale da gente. todas falam

quando eu pensei, você fez. quando eu deitei, você sentou. um passo a frente sempre, atrás a visão é bonita.( é só sobre aquele bom momento. só)

e uma razão, com as 10 milhões de dores e com café ou não, nada vai me derrubar. só o lowkick nas pernas, e esse você ainda não sabe dar.
Obrigada, realmente obrigada a todos que fizeram com que eu começasse a semana dessa forma tão BOA. - n

é, eu nunca tenho razão mesmo. (Y)
É, começo a me convencer. Eu sou chata.
Eu revoltei.

Acho ótimo, acho muito bom que venham cheios de "moral" para falar sobre como eu não presto, sobre como eu sou insensível e não penso nos outros. Como eu troco de amor do dia pra noite e como eu estou sempre atrás de algo novo. Como eu não me importo com nada, como eu sou mau caráter com quem gosta de mim.
Eu acho ótimo, sério. Acho ótimo que ocupem seu precioso tempo comigo. Isso é lisonjeio pra mim, eu pareço ser importante na vida de vocês. Ou vocês se incomodam comigo? Paciência, muita paciência, da parte de vocês, pra mim não faz diferença, eu tenho minha própria vida pra cuidar.
O que é irritante e disso, por mais que eu tente, não consigo fugir, é que por mais que eu deixe claro, por mais que esteja escrito na minha cara o que eu quero, ainda a quem insista no contrário.
Não, eu não vou me desculpar, eu não vou pedir licença e eu não vou me explicar. Doa a quem doer.
Por que quando dói em mim é "bem feito" e nada mais.

Sim, eu revoltei.
Quando retroceder, andar para atrás, voltar um nível faz bem?
Agora. Agora faz bem.
Quando se está acelerado de mais, quando se está tão rápido a ponto de não poder identificar as figuras que passam disformes ao seu lado. Assim estamos, acelerados, um nível assim do que podemos suportar. Estamos juntos, é verdade. A união me é perfeita, ao mesmo tempo em que me preocupa. Porra! Ninguém aqui tem um pouquinho só de juízo?!
Parece que não.
Antes que alguma coisa nos pare, precisamos parar. Antes que encontremos alguma coisa que nos pare bruscamente, antes que alguém aqui se machuque de verdade.
Pararemos juntos ou não pararemos.
Retroceder, esperar, acalmar.
Isso tudo nunca foi tão bem vindo como agora.

level 1.

sábado, 14 de agosto de 2010

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Respira! Respira!

Volta à vida, infla o peito, o enchendo de ar.

Abre os olhos. A visão meio embaçada, meio sem sentido, meio surreal.

Eu to no céu então?

Uma pegada na nuca.

É, eu realmente to no céu.

Tudo foi voltando aos poucos. Senti queimar feito brasa todo contato feito com a minha pele, a do frio teimoso, a do lençol embolado, o cobertor enrolado, teu corpo suado. Já conseguia ouvir uma respiração alta que não era a minha.

- Onde tu tava esse tempo todo? – a voz sem dono falou no meu ouvido.

- Eu tava aqui, o tempo todo. – Respondi.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Eu quero saber, eu quero saber o porque.

São três da manhã. Toda vez que alguém me liga a essa hora eu acho que tem algo a ver com demo, sei lá né. Maldita cultura popular da qual todos somos meio escravos.
Tá, não era o demo me ligando, mas os efeitos seriam quase os mesmos.

- Eu não acredito. - Foi tudo que pude dizer completamente desnorteada com "Uncle fucker" tocando a toda no meu ouvido.
Atendi.
- Mariá?
- Ahmm.
- Desculpa te acordar tá?
- Ahmm
- Fala comigo.
- O que tu quer ouvir?
- Não sei.. - Um suspiro do outro lado da linha.
- Tu tá bem? - Perguntei retomando a consciência.
- Não na verdade. - Resmungando
- Pronto. Sabia.
- Para de ser tão insensível, tão egoísta!
- Ei! Para ai! Tu não me ligo as três da manhã pra xingar né!?
- Não. Liguei pra ver se me sentia melhor, mas parece que tu não quer me ajudar nisso.
- Nem vem! Não começa a botar a culpa de sei lá o que que tá acontecendo contigo, em mim! Nem vem!
- Tu não sabe a merda que tá isso aqui. - Reclamou
- Não, eu não sei. Eu se quer sei no que tu se tornou nos últimos tempos. Eu nem sei onde e como você esteve nos últimos 2 meses. Nenhum telefonema, nenhuma mensagem, nenhum sinal de fumaça vindo de você. Eu fiquei aqui sem poder ligar, sem saber o que estava acontecendo. Agora, não me venha em uma madrugada qualquer requerer seus direito de volta. Não mesmo.
- Desculpa.
- Cansei das suas desculpas. Cansei disso. Me ligue quando souber o que quer. Boa noite.
Desliguei.

Eu preciso de agradecer por ser a fonte da minha insônia. Obrigada.
Cinco minutos revirando-me na cama e uma mensagem;
" Obg por m ouvir, obg por m fazr chorar. d novo."

Ahh! E obrigada por sua incrível capacidade de me fazer sentir culpada, sempre.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Não tenho problemas em pedir desculpas, tenho problemas em admitir estar errada. Eu odeio estar errada, por mais que isso aconteça frequentemente. Esse é o tipo de coisa com o qual nunca serei capaz de me acostumar.

Mas eu estava errada. Meu instinto me enganou e fiz conclusões errôneas, não que isso seja o fim do mundo, não é. Agora eu sei como um meteorologista se sente, sempre fazendo previsões erradas. Tudo bem vai, eu não sou adivinha, minha bola de cristal não existe e meus pressentimentos, (diferentemente da minha santa mãe que tudo sabe, tudo vê ¬¬), só funcionam pra eventos de quase morte, quase minha morte, menos mal.

E por mais irônico que possa parecer, teve uma coisa boa em eu estar errada. Eu me libertei. Não, sério mesmo, foi como se dissesse; “Foda-se eu já to errada mesmo, não pode piorar”. (Mentira, sempre pode piorar, mas não nesse caso.) Então eu fui lá com minha enorme cara de pau e enfiei a cara onde não devia, literalmente. Coisa boa. Tão bom estar errada de vez em quando. =]

- Continua indo a aquele grupo de leitura nas quintas?

- Ás vezes. Alguns livros antigos não me interessam mais, estou lendo algumas coisas novas.

- Ué. Não era você que dizia que literatura só era literatura até a década de 90?

- É. Mas tenho mudado de idéia ultimamente, sobre muitas coisas.

- Isso significa?

- Precisa significar algo?

- Eu não sei, só achei que você mudando assim de idéia sobre algo tão grande em sua vida, pudesse mudar de opinião sobre outras.

- Não estou revendo conceitos, só estou mudando de idéia. Eu posso não é?

- Pode. Me desculpe, não quis irrita-la.

- Você não me irrita. Eu que preciso me desculpar, tenho sido estúpida e grossa com você.

- Eu tenho sido insistente, eu sei. Mas é que eu não sei estar se não estiver ao teu lado.

- Tu sabe que isso acabou né? Quer dizer, um dia vai precisar entender que não tem mais volta, que por mais que o passado tenha sido glorioso e haja um sentimento enorme, não existe forma de voltar atrás.

- Eu tento assimilar isso todos os dias desde então.

- Ninguém me conhece tão bem quanto você.

- Eu não conheço ninguém tão bem quanto conheço você.

- Você quer jantar lá em casa amanha?

- Não sei se deveria...

- Eu faço carbonara.

- Ok, me ganhou. Mas quem vai?

- Só eu e você.

- Não. Não quero comer carbonara só com você naquele apartamento, com seu cachorro lá, com suas coisas lá do mesmo jeito que estavam quando eu sai.

- É o nosso cachorro. E as coisas não estão iguais. Eu vendi a velha poltrona preta...

- Como teve coragem?!

- Eu sempre odiei aquela poltrona, você sabe. Não fique bravo por isso.

- Agora eu vejo, acabou de verdade.

- É sou uma poltrona.

- Não, era a minha poltrona. Você não me quer mais em sua sala.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Deu duas garfadas no risoto e apenas balançou a cabeça enquanto ela falava sem parar sobre como ele era insensível. Ele não era insensível, apenas não ligava pra algumas coisas minúsculas as quais ela dava tanta importância.

Por um momento desligou-se do mundo, as vozes do restaurante lotado e os reclames dela ficaram em segundo plano. Aprendera nesses 7 e tanto anos de casado que sua querida mulher só precisava se sentir ouvida, e isso ele sabia fazer muito bem, mesmo que não prestasse a mínima atenção no que ela falava. Apesar de ser uma prática perigosa, já que ela muito ávida sabia tirar proveito da sua distração e assim havia conseguido adquirir, as custas dele, sua última bolsa Luis Vitton e a recente viagem a Roma. Ele não havia encontrado outra forma, outro meio de comunicar-se com ela sem ter enorme dor de cabeça.

“O que ela queria dessa vez?” Pensou.

Quanta injustiça da parte dele, ela era uma boa esposa, uma boa mulher, uma boa pessoa, só falava de mais.

Enquanto ela falava algo sobre dormir depois do sexo e ele assentia automático pensando “Você me fez parar de fumar, o que quer que faça?”, algo aconteceu. A porta do restaurante se abriu mais uma vez, junto com a brisa quente de verão ele pode sentir um perfume, um perfume inebriante, doce, quase enjoativo. Ele segurou-se para não olhar, mas não conseguiu. Sabia que seria xingado, advertido, mas não resistiu, alguns revés valem a pena.

Não quis negar, olhou mesmo. Seu faro nunca o enganara, ela era mesmo bonita. Mas era bonita de mais, de mais de mais. Aquele olhar altivo, o salto muito alto, a roupa que vestia denunciava sua importância, executiva, administradora de algo grande, gerente, algo assim. Tudo em câmera lenta, o único som audível era o dos seus saltos batendo no chão em um ritmo que pareceu música para ele.

- Ei! – A linda mulher que estava a sua frente na mesa chamou sua atenção.

- Ahm? – Ele voltou de súbito à realidade. – Desculpe-me amor, me distrai.

- Percebi. – E continuou a falar.

Ela passou por ele e sentou a 3 mesas da deles. Pernas cruzadas, falando ao celular, uma amiga, pensava ele, a sua frente, igualmente bonita a ela, mas sem o mesmo brilho, o mesmo encanto. Lembrou ele nessa hora do que uma velha amiga lhe dizia; “ Uma mulher quando é bonita de mais ou é lésbica ou não é mulher.” Sempre considerou essas possibilidades em todas as mulheres bonitas que via, mas dessa vez o fez com certa tristeza. Poderia estar encantado por um travesti ou corria risco de apanhar da namorada dela.

- Amor? – Uma voz doce o chamou. – Tu ta bem?

Voltou a tona.

- Estou sim querida, só estou um pouco cansado. – Ele disse esfregando os olhos.

- Você quer ir para casa hoje depois do trabalho? Não precisamos ir até minha mãe se você não estiver bem. – Ela tocou sua mão enquanto falava tão docemente.

Ele sorriu bobo olhando para aquela mulher que chamava de “minha”, e sentiu-se estúpido por ter olhado para o lado. Segurou a mão dela entre as dele e disse carinhoso:

- Tudo bem amor, duas horas com sua mãe não vão me matar, nós vamos sim.

Ele não procurou mais por aquela mulher depois disso, tinha a mulher que amava e queria passar o resto da vida ao seu lado, não interessasse o quanto ela falasse ou o quanto ela gastava em bobagem. Ela era linda, era ótima, era a mulher perfeita, a quem ele nunca havia traído e quem nunca trairia. Ele a amava, muito. Terminaram o almoço e saíram. Enquanto esperavam o carro em frente ao restaurante, ele a abraço gentilmente por trás e cheiro seu pescoço, gostava tanto daquele cheiro. Ela retribuiu com um beijo no rosto.

Para surpresa dele poucos segundos depois de pararem ali, aquela mulher linda e sua acompanhante pararam ao lado deles. E não pôde não observar quando aquela linda mulher passou o braço pela cintura de sua “amiga”. É, ele estava certo, ela era lésbica. Sorriu como quem vence alguma coisa e abriu a porta do carro para a, sua mulher.

domingo, 8 de agosto de 2010

Eu tenho um luminoso na testa, logo assim da cara de boneca com um sorriso debochado, que diz "PROBLEMAS"?
Letras garrafais, brilhantes e vibrantes que dizem que aqui você terá PROBLEMAS?
Vem com esse dedo em riste, preocupado em achar o interruptor que desliga esse luminoso. Novidade pra ti; ele não desliga. Pisca às vezes, mas desligar nunca.
O contato com a tua pele começa a ter um efeito estranho sobre mim. Um efeito contínuo, um efeito que dura mais do que o só prazer, e não falo da dor. Posso sentir tua respiração no meu ouvido sem me incomodar, sentir teu cheiro sem querer parar de sentir. Eu não quero parar de te sentir. Preciso te ouvir falar, preciso que tu não saia daqui, pelo menos por enquanto.
Preciso antes de tudo isso, provar pra mim mesma que preciso SÓ de ti aqui. Será?
Preciso de alguém que me ensine a dançar, preciso de alguém que não saiba amar.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Sabe jogar poker? Então eu sei.
Poker, além de ser o nome do jogo em si, também dá nome a uma jogada, a uma combinação de cartas; Às de espadas, às de copas, às de bastos, às de ouro juntos.
O jogo de poker é um jogo de mentirosos, o jogo da vida não deixa de ser diferente.

Eu tenho em mãos um poker.
Às de espadas - o impossível
Às de ouro - o improvável
Às de bastos - o certo
Às de copas - o indesejável

Em um jogo eu estaria feita. Mas não, dessa vez não. Dessa vez eu preciso escolher, eu preciso ficar com uma só carta, um só às.
Jogo as cartas à mesa e perco tudo que apostei até agora por uma fraqueza idiota, por simplesmente não querer lutar?
Obviamente que não.
- Uma só carta Mariá. - Fui avisada.
Ok, vamos lá.
Copas, sempre tão insistentemente irritante, tão infantil, tão Arghhh! Indesejável eu já disse, fácil me livrar.
Espadas, impossível(?). Nessa circunstâncias sim, e não há por que entrar em um jogo em que a derrota é certa. Perda de tempo.
Fico então com duas cartas em mãos; o certo e o improvável. E agora?
Bastos, é certo, já disse. Então por que não? Simplesmente por que é certo.
Ouro, improvável. Eu gosto do que é improvável, eu gosto de perceber que algo que não podia ou não aconteceria normalmente aconteceu.
Cartas na mesa, eu fico com o às de ouro.
E seja lá o que a tequila quiser. Amém

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Minhas ameixas de inverno demoraram a nascer.
Ano passado eu as comia em junho, esse ano por causa das geadas, elas só apareceram agora, em agosto.
Cada coisa no seu tempo, cada coisa quando tem que ser.

- Agora talvez eu passe a acreditar em Deus. – Comentei comigo mesma depois de um recente susto.

Não. Definitivamente isso não vai acontecer. Ao menos não aos modos comuns. Sim estou aqui para criar um paradoxo. (Bonita palavra essa, ‘paradoxo’).

Deus está ligado diretamente e inseparavelmente à igreja, seja ela qual for. Então torna-se complicado acreditar que este ser, esta divindade, este homem, ou sei la o que você acredita que este deus seja, um ser untado de tamanha bondade e misericórdia com os ‘pecados’ alheios, este deus possa estar ligado a uma entidade tão política quanto a igreja. Sim meus caros, a igreja, e aqui falo sobre a católica, é a maior instituição política deste (e do outro mundo), a maior empresa deste mundo. Com uma linha hierárquica bem definida, normas e meios de funcionamento de dar inveja a qualquer organização moderna, a igreja católica vem sendo construída, (de forma brilhante preciso assumir) em cima de mitos. Mitos sim, senhores. Meu cepticismo me impede de acreditar em ressurreições, chuvas de 40 dias, abrir mares e todas essas coisa as quais todos nós já estamos cansados de saber. Mas de onde vem? Como surgiu? Alguém explica? Tu achas mesmo que foi feito do barro caro rapaz? Achas mesmo que saiu da costela do cara que foi feito de barro moça? Bom, no mínimo isso tudo é muito estranho.

Deus é bom, mas de vez enquanto gosta de castigar a humanidade por seus pecados com uma enchentezinha aqui, um terromotozinho ali, como um bom pai misericordioso. Ai vocês dirão “Mas este desastres são culpa da própria humanidade”. E eu lhes respondo; “Ele não é o cara que tu vê e tudo controla?”.

Discussão perigosa, assunto perigoso. Mas a questão é que não quero discussão, simples né? (não). O que eu quero é questionar, e não seria capaz de dormir sem fazê-lo; Como uma instituição tão moderna administrativa e economicamente falando, ao mesmo tempo consegue ser tão retrograda e antiquada? Machista, antinatural, injusta, cega. Cobra de seus fieis castidade, mas não é capaz de punir seus padres pedófilos. Incapaz de adaptar seus conceitos milenares a um tempo em que tanto preza por tolerância.

Sei bem que serei crucificada (háhá!) por muitos por expressar minha opinião, mas é minha e tenho o direito de expressa-la.

Fiquem com a tequila. Amém.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Penso que ao menos poderia ter sido avisada sobre tal. Sem explicações, apenas um aviso, algo que a pudesse alertar que a noite seria fria, que a vida seria fria e que seria melhor ficar no ventre para sempre, mantendo aquela temperatura gostosa até para quem esta nu. Ó céus, nascemos nus, para que tantas roupas então?

Ainda chateada por não ter recebido um manual de instruções, como tudo que se compra em lojas de departamento, botou as luvas e saiu porta a fora.

Todo mundo a cumprimentava nas ruas e ela se quer sabia quem eram aquelas pessoas, tinha algo em mente, alguém em mente, não precisava de mais nada além daquilo. Sorriu abobalhada uma ou duas vezes, tentando demonstrar interesse, mas não queria saber de nada. Seguiu firme, pelo que lhe pareceu ser quatro ou cinco quadras, seguiu o cheiro que já que era familiar, aquele cheiro que havia ficado em sua roupa desde a ultima vez. Por um segundo sorriu, lembrando daquele desenho animado em que o pássaro levitava atrás do cheiro da comida. Sentia-se assim de alguma forma, sentia-se cega indo atrás de seu objeto de desejo.

Estava lá em frente aquela casa, já tinha estado ali antes, mas eram por outros motivos, por outras paixões e sentiu-se idiota de novo por não ter visto antes o que estava a sua frente. Com freqüência fazia isso, com freqüência se deixava levar por bobagens, se é que aquilo tudo podia ser considerado uma “bobagem”. Não, bobagem não era. Mas enfim, agora não queria mais saber daquilo, queria isso.

Esticou o dedo para tocar a campainha, e antes que pudesse consumar o ato, paralisou. Sua mente em alta velocidade deglutia informações, estava agitada de mais, sua mente estava, não seu corpo, seu corpo estava apático, talvez congelado pelo frio. Começou a fazer um movimento débil, ‘para frente e para trás’, ficando na ponta dos pés e depois jogando o peso do corpo pra seus calcanhares.

“Ele gosta dela, que gosta dela, que gosta dele, que gosta dele, que gosta dele, que gosta dela, que gosta dela...”.

Maldito mundo bissexual, hoje em dia ninguém mais “se salva”. Devaneios. Não precisava estar ali, não assim. Devia ter conversado com o Paulo antes, devia ter tomado uma ou duas doses de tequila antes de sair de casa. A tequila sempre ajuda, em qualquer momento.

Tirou as luvas e as pôs no bolso do casaco de lã de batido. Sempre sentia-se em um filme dos anos 20 quando usava aquele casaco, estilo gangster, só faltava o chapéu e os sapatos bico fino bem polidos. Olhou a hora no celular; 17:17. Números iguais, o que significam será? Não faço idéia. Mas pela situação não lhe parece nada bom. Fixou um lembrete em sua própria mente; “pesquisar o que significa 17:17.”

Bom. Eu vou embora. Eu vou embora não por falta de coragem, eu vou embora por falta de argumento. Não posso simplesmente vir aqui e dizer que precisamos ficar juntos. Precisamos por que? Pra que? Precisamos nada. Eu quero, você já não sei. Às vezes parece que sim, às vezes parece que não.

Virou o tronco de súbito para a esquerda e começou a andar pra longe dali. Depois de 2 esquinas geladas pensou em ligar, mas daí foi capaz de reconhecer; aquilo não era amor, era vontade. Como pôde ser tão burra?! Revoltou-se consigo mesma. Pra quem já viveu tantas coisas, aquilo era inaceitável. Aprendera a lutar por um amor, como aprendera a lutar contra uma vontade desmedida. E aquilo era apenas vontade, vontade desmedida.

Tomou o rumo de casa mais leve, mas consciente de que se a vontade virasse amor, ela voltaria aquele lugar, munida de argumentos, munida de coração.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Veio equilibrando-se em duas pernas bambas, fazendo um trajeto incerto. Veio me dizer que a errada sou e que está no lugar onde sempre esteve, eu é que sou a intrusa. Disse que não sabe lidar com essa intromissão em sanidade e que não sabe por que quer seguir meus passos tortos, não sabe parar de sorrir quando a bebida lhe faz me ver.
- Me dá um motivo pra não ir embora agora?
- Você veio até aqui, isso já é um motivo.
-Monstro, precisamos conversar.
Ele a encarou de cima da mesa de centro.
Ela continuou com cadência:
- Eu estava pensando que seria bom nós mudarmos de casa. Mudarmos de cidade, de pais talvez. Respirar novos ares sabe?
Monstro não reagiu, precisava digerir aquela informação que ela acabara de lhe passar. "Mudar? Pra que mudar?" Ele pensou.
- Pensei em Paris ou até Roma. Que que tu acha? Podemos vender tudo aqui e partir para recomeçar uma vida nova.
"Paris é gelada." Ele concluiu e desceu da mesa de centro. Agachou-se nos pés dela e ronronou como quem diz "Mas com você eu vou até pro Alaska."
- Isso Felipe, vamos pra Paris, sempre quis tomar café em um fim de tarde na Champs-Élysées e depois assistir uma ópera qualquer em algum teatro famoso.
"Felipe? Você me chamou de Felipe." Ele subiu no colo dela feliz.
Ela começou a fazer um carinho de leve atrás das orelhas dele, que fechou os olhos e entortou a cabeça para o lado.
- Sabia que Torre Eiffel fica maior no verão Monstro? - Ela perguntou distraída

domingo, 1 de agosto de 2010

Vai haver um dia em que eu vou olhar e não vou querer mais, vai haver um dia em que tudo isso será só mais uma bobagem, como foram tantas outras. Mas até isso acontecer eu não me tiro o direito de arrepiar os pêlos da nuca quando te vejo. Tu me deixa ouriçada. Ouriçada(?) Seria essa a palavra então? Não sei.
O fato inegável é que tu me arrepia, me deixa agitada quando tá por perto. Mas é só, é "só" uma espécie de magnetismo mútuo.
Coisa de pele, coisa de corpo.
x]
Agora que pude ver eles, tocar neles, ouvir eles, verificar que cada pedaço estava lá eu finalmente me acalmei. Mas com a calma veio a terrível realidade; podia ter sido pior. E eu sei que não é pra pensar nisso, que tá tudo bem, que eles estão bem, mas é inevitável imaginar algo pior. E eu simplesmente não sei, eu não sei o que seria de mim, da vida sem eles.
O susto passou e veio uma sensação de alívio junto com a tensão, junto com o choro. Não pude evitar, somos todos tão frágeis no final das contas, tudo seguindo um equilíbrio tão delicado.
Sim, eu estou sentimental. Sim estou chorando por que estive a uma curva de perder pessoas que amo incondicionalmente.
Eu não sei a quem agradecer por eles estarem bem, mas eu agradeço mesmo assim. Obrigada por todo mundo estar bem, estar vivo, obrigada por meus piás estarem bem. Muito obrigada.
As vezes, infelizmente, precisamos de grandes baques, grandes 'tapas na cara' da vida, da possibilidade clara de morrer ou perder alguém, pra que finalmente possamos compreender que não estamos a cima de nada. Que pra morrer só é preciso fazer assim ó; (estalar os dedos).